em Artigos de Convidados

O BONEBRIDGE, o primeiro sistema de implante ativo de condução óssea do mundo, destina-se a pessoas que sofrem de perda auditiva condutiva, perda auditiva mista ou perda auditiva unilateral (SSD). Na perda auditiva condutiva ou mista, o som não consegue seguir para o ouvido interno pela via auditiva natural através do ouvido externo e médio. Com o BONEBRIDGE, as ondas sonoras são transmitidas através da condução óssea diretamente para o ouvido interno, onde são processadas como som natural.

O BONEBRIDGE pode ser uma solução eficaz para pessoas com perda auditiva persistente após uma cirurgia do orelha média, malformações ou para perda auditiva condutiva e mista em geral. Também é uma opção para as pessoas com surdez unilateral. Obviamente por haver a necessidade de abertura de um espaço na mastóide ou atrás dela para colocação da unidade interna, pacientes submetidos à mastoidectomia também podem se submeter à cirurgia, porém devendo-se tomar alguns cuidados com relação à posição do seio sigmóide, podendo haver a necessidade de afastá-lo dependendo da anatomia do paciente. Em casos onde a mastóide é normal e a posição do seio sigmóide é a habitual, como no caso do nosso paciente, a cirurgia torna-se extremamente simples e rápida, sendo feita inclusive com anestesia local e sedação, como habitualmente fazemos em adultos as cirurgias de implante coclear.

O BONEBRIDGE é um implante de condução óssea inovador, que transmite ondas sonoras através do osso craniano diretamente para o ouvido interno, onde são percebidas como som. O implante fica totalmente invisível sob a pele intacta. Ao contrário de outros sistemas auditivos de condução óssea, este sistema minimiza o risco de irritação da pele, e a estimulação direta do osso (ou seja, tecnologia de acionamento direto) obtém ótimos resultados de transmissão do som. Por este motivo, como o nosso paciente mora na região litorânea do Paraná, na bela e querida cidade de Morretes, cercada de rios, montanhas e com uma natureza exuberante, com praia muito próxima, e onde as atividades físicas são constantes, gerando sudorese intensa, optamos pela realização do BONEBRIDGE, para minimizar os riscos cutâneos, formação de tecido de granulação ao redor do pino externo de outros implantes de condução óssea, e possibilidade de retirar a parte externa, ou seja, o processador de fala Amadé, sem que ficasse nenhum componente através da pele, facilitando e permitindo total contato com o mar e os rios da região.

Fizemos a cirurgia em um rapaz de 18 anos com microtia bilateral e estenose congênita total de conduto auditivo externo, submetido a algumas cirurgias de reconstrução estética da orelha, e que usava vibrador ósseo há anos, devido à perda condutiva que tinha, bilateral, com gap aéreo ósseo em torno de 50 dB, e via óssea normal.

A cirurgia foi feita sem nenhuma intercorrência, com anestesia local e sedação, em uma das orelhas, e durou aproximadamente 40 minutos, tendo alta hospitalar no mesmo dia, e retirados os pontos em 10 dias, sendo que a ativação foi feita após 30 dias.

No momento da ativação já houve um resultado surpreendente, relatado por ele como muito melhor e com som mais claro do que o vibrador ósseo que utilizava, que inclusive causava muita dor no local e constantes irritações cutâneas.

Segundo as palavras da mãe: “Meu filho ficou muito feliz na ativação e principalmente porque as pessoas não precisam mais gritar com ele e agora consegue controlar melhorar a intensidade da voz; melhorou muito na sala de aula, os professores ficaram feliz com o novo aparelho, consegue acompanhar atividades como o ditado e outras atividades em grupo; os amigos ficaram felizes porque ele agora fala baixo e consegue entender cochichos. Com seis  anos ele começou a usar o arco com vibrador e muitos profissionais não queriam aceitar ele em escola de surdos. Tinha dificuldade para falar algumas palavras. Lutei para que ficasse na escola regular e com orientação para sentar sempre na frente. O aparelho estragava muito e muitas vezes os colegas criticavam o uso do arco, o qual ele ficava com vergonha de usar. Agora ele está todo contente sem o arco, melhorou com os amigos, os parentes e também para assistir TV. A fisionomia dele melhorou e ficou mais sorridente. Já começou até paquerar.”

Nós da equipe de cirurgia otológica e implante coclear do Hospital IPO – Instituto Paranaense de Otorrinolaringologia, em Curitiba, nos surpreendemos com esse resultado e com as questões estéticas do processador de fala, a facilidade da cirurgia e da ativação, com o resultado imediato encontrado.

Acreditamos ser mais uma opção muito interessante no leque de opções das próteses ósteointegradas para pacientes com perdas condutivas e mistas sem possibilidade de reabilitação auditiva por outros métodos convencionais, ou com maus resultados com estes.

Você sabe como o Sistema BONEBRIDGE funciona? Assista o vídeo abaixo e conheça mais sobre o primeiro implante de condução óssea no site da MED-EL

 

Professor Doutor Rogério Hamerschmidt

Professor Adjunto do Departamento de Oftalmo-Otorrinolaringologia do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná

Professor orientador do programa de pós graduação em clínica cirúrgica níveis mestrado e doutorado da Universidade Federal do Paraná

Responsável pelo Serviço de Implante Coclear do Hospital IPO – Instituto Paranaense de Otorrinolaringologia de Curitiba-PR e do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná

Fonoaudióloga Dra. Gislaine Richter Minhoto Wiemes

Mestre em Distúrbios da Comunicação – UTPR.

Doutora pelo Departamento de Clínica Cirúrgica do Setor de Ciências da Saúde da UFPR

Coordenadora da equipe de fonoaudiologia do Serviço de Implante Coclear e do Serviço de Avaliação Auditiva Eletrofisiológica do Hospital do IPO – Ctba/PR.

Fonoaudióloga do Serviço de Implante Coclear do HC – UFPR

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